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Tag: Alcoolémia

À conversa com Jorge Miranda, vocalista dos Alcoolémia - Não há que ter medo de cantar em língua portuguesa.

03.03.08
42014 Foi há 15 anos que os Alcoolémia nasceram no Fogueteiro como uma banda rock que apostava na música cantada em português.
Após 3 álbuns editados, mais de 30 mil discos vendidos e cerca de 500 espectáculos nos palcos portugueses, a banda está de volta com o seu quarto álbum de originais, homónimo, que revela um grupo mais maduro e uma aventura por novas sonoridades sem nunca esqueçer as suas raízes musicais.
O vocalista Jorge Miranda faz um balanço dos 15 anos de vida e fala sobre este novo trabalho que abre as portas do futuro aos Alcoolémia.
Seixal - Boletim Municipal (SBM) - O facto de terem «nascido» no Seixal, onde há tradição de apoio municipal a novas bandas, contribuiu para o sucesso do vosso grupo?
Jorge Miranda (JM) - Sem dúvida foi uma grande ajuda.
A Câmara Municipal organizava o Seixal Rock e nós participámos em 1992, sendo uma das bandas semi-finalistas, e vencemos em 1994.
Foi onde tudo começou. Em 1995 lançamos o nosso 1º album Não sei se mereço, e a partir daí surgiram vários convites para concertos no Município, Festas do Seixal, Março Jovem etc.
Tem sido uma relação de amizade ao fim ao cabo...
e por isso agradecemos à Autarquia por todo o apoio que nos
tem dado, recebemos inclusivé uma medalha de Mérito Cultural. Esta é uma prova de que a Camara Municipal se interessa pelas questões culturais, nomeadamente a música, dá apoio e
reconheçe o mérito. Obrigado!
SBM - Quais foram as principais dificuldades que encontraram no vosso percurso de 15 anos?
JM - Não é facil manter uma banda. Conciliar seis vidas, seis personalidades e manter a amizade e respeito uns pelos outros , ás vezes, pode ser complicado.
Salvo raras excepções, conseguimos manter o núcleo duro da banda, e já lá vão 15 anos.
Depois, temos as questões relacionadas com o mercado
propriamente dito.
O meio musical não é fácil, as editoras nem sempre conseguem corresponder à expectativa da banda e vice versa, e então
as coisas às vezes complicam-se. Mais recentemente, enfrentámos uma crise a nível de vendas que como todos
sabemos caíram bastante por razões óbvias (net, pirataria etc.). É muito complicado ter lucros com a venda de CDs, ou pelo
menos ter retorno do investimento feito. A verba disponibilizada para promoção, imagem da banda, videoclip, é muito reduzida, há um medo geral de se fazer uma aposta e receber em troca
o fracasso. Mas é certo que sem promoção adequada nenhum
projecto pode singrar, de modo que a questão se torna num pau de dois bicos, dando origem a muitas dúvidas e medos e, consequentemente, à incerteza quase total, sobre a melhor
forma de inserir ou editar e promover um novo projecto musical
no mercado. Acho que tanto editoras como bandas devem unir esforços e desenvolver novas ideias que melhor se adeqúem à actual conjuntura do mercado.
SBM - Quais são as principais diferenças entre os Alcoolémia de há 15 anos e os Alcoolémia dos nossos dias?
JM - A nossa base de criação mantém-se, ou seja, o rock e algumas baladas que ficam no ouvido, com letras simples e boas guitarradas, de forma a que a mensagem possa ser passada e compreendida. No entanto ouve ao longo destes anos uma natural evolução, por isso penso que hoje é uma banda mais madura. Evoluímos a nivel técnico, o que nos permite uma maior qualidade na execução dos temas ao vivo, e ao nível de composição, o que confere à banda uma maior liberdade, pois as limitações são naturalmente menores.
SBM - Experimentaram novas sonoridades neste album. Porque sentiram esta necessidade nesta altura da vida da banda?
JM - Não foi uma necessidade absoluta, foi algo que surgiu até com alguma naturalidade. Como músicos gostamos de explorar novas sonoridades e descobrir a melhor forma de incluí-las
e misturá-las com o nosso som que tem por base o rock.
No fundo, dá-nos um certo prazer, pois todos gostamos de ouvir vários géneros músicais e isso influencia-nos. Ao mesmo tempo, traz sempre algo de novo de um trabalho para o outro.
SBM - Vão ter dois temas na banda sonora da nova novela da SIC, Rebelde. Quais? Vai ser importante na divulgação da vossa música?
JM - Vão ser dois temas de facto. «Há quanto tempo ando aqui» e «Areia de pedras salgadas». Foi com muito agrado que recebemos essa notícia, acho que gostaram dos temas e, pelos vistos, enquadram-se bem na novela. Como é obvio, vai ser importante na divulgação deste novo trabalho, já que os canais de divulgação actuais são muito reduzidos, portanto estamos muito contentes com esse facto.
SBM - Acham mesmo que a música nacional está na sombra, como diz o título de um dos vossos temas?
JM - Um pouco. Não quero com isto dizer que a música nacional esteja pela rua da amargura, mas que podia estar bem melhor, ser mais divulgada ser mais apoiada e promovida, é um facto.É certo que lá de fora vem música de grande qualidade e em grandes quantidades também, o que, por vezes nos deixa um pouco na «sombra». Mais uma razão para que as rádios começem a dar mais atenção à nossa musica.
SBM - Continuam a defender a música cantada em português?
JM - Claro, sempre. Penso que temos muita gente a escrever muito bem. Aliás, eu penso que, em termos de qualidade, a nível de letras, temos coisas extraordinárias por isso, porque não aproveitar esse facto? Não há que ter medo de cantar em língua portuguesa. Eu faço há já 15 anos e, acreditem, a única coisa que sinto é orgulho!
In...Boletim Municipal Seixal Nº 475 de 29 Fevereiro de 2008

Alcoolémia no Hard Rock dia 3 Dezembro

28.01.08
33920 Pouco passava das 23 horas quando os Alcoolémia subiram ao palco do Hard Rock no passado dia 3 Dezembro, com «Há quanto tempo ando aqui» que é o tema incial do album, pujante rockeiro, que promoveu o arranque da noite que se previa de festa, ou não se tratasse de um lançamento.
«Queria roubar-te um beijo» proporcionou um momento contagiante, eléctrico, com um certo dinamismo rocker.
Foi com o terceiro tema, que é o single «Fico à espera...(quero ver o fim)» que se registou o primeiro momento da noite, é uma balada ao velho estilo Hard Rock, mediática, uma canção onde se destaca o trabalho da dupla de guitarras da banda.
Com apresentação de «São sempre os mesmos» junta-se um convidado Dj X-acto, criando uma atmosfera sonora contagiante, com um refrão poderoso cheio de energia, onde a letra apela a uma reflexão sobre os efeitos da cegueira do capitalismo, na consequente deterioração do nosso planeta.
«Já é tempo...desta cidade acordar» um tema irreverente acelarado de guitarras, que se revelou uma explosão de energia, e que criou um momento de êxtase, com um final arrebatador, para agrado dos muitos presentes que enchiam o Hard Rock.
Um dos maiores momentos, o facto de poder comprovar que o vocalista Jorge Miranda é um verdadeiro animal de palco, irrequieto, comunicativo, e apesar da fraca cénica, e das reduzidas luzes existente no Hard Rock, foi no tema «A música nacional (vamos tirá-la da sombra)» que a banda mostrou uma enorme segurança com um ritmo entusiasmante numa fusão brilhante de rock com o hip hop com a participação do Dj X-acto no scratch, na defesa da musica cantada em Português, com referências alguns nomes grandes do nosso panorama nacional, Xutos, Da Weasel, Rui Veloso, Jorge Palma, Marisa, Clã, Sérgio Godinho...
«Areia de pedras salgadas» o tema que deu origem ao grande episódio desta apresentação, uma estupenda canção de amor, onde a emoção partilhada por Jorge Miranda, e a sensibilidade veio ao de cima, deixando momentaneamente de cantar, devidamente substituido pelo teclista Ricardo Galrito, com direito a uns abraços reconfortantes no final do tema por parte de alguns elementos da banda.
«O mundo não é» e «Tudo o que quero ter» este ultimo serviu para apresentação dos elementos da banda e ainda para o lançamento de um cd para o publico, mostraram as várias facetas musicais destes renascidos Alcoolémia.
A terminar o alinhamento do album a estupenda versão da «Chiclete» com uma roupagem rocker, num ritmo acelarado, que funciona impecávelmente ao vivo, provocando mais um dos momentos de eleição.
Houve ainda direito a bolo de comemoração dos 15 anos da banda, uma surpresa reservada a banda.
Para o encore, temas obrigatórios como o «Batam com a cabeça no chão», a versão do conheçido fado «Nem as paredes confesso», «Fugir para quê» e ainda o velhinho «Não sei se mereço» que fizeram o publico dançar, pular, cantar, com direito a uma versão eléctrica, caótica, como explicou Jorge Miranda que era assim inicialmente o «Não sei se mereço» quem diria.
Saìmos do Hard Rock com a sensação que os temas novos são mais mediáticos, provocando reações de vibração positiva, e que os mais antigos promoveram um momento final de êxtase, mostrando uns Alcoolémia concentrados, coesos e em grande forma.
J.P.

Pezudo, Quinta, 20 de Dezembro de 2007 às 9:17
Editado por Blitz