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Capa de Álbuns: Uma arte em vias de extinção?

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A capa de um álbum, outrora uma parte crucial da identidade de uma banda, tem vindo a perder a sua expressão nestas ultimas décadas. Uma das principais razões foi a passagem do formato expansivo de vinil para o CD, onde a arte do álbum foi reduzida para caber em pequenas caixas de plástico. Neste momento a larga maioria da música encontra-se em circulação na Internet, ou seja a arte do álbum sofreu outra compressão, desta vez para imagens “thumbnails" (talvez pior, visto que na maioria dos casos estas nem sequer aparecem nos downloads).

Para já os designers das grandes editoras, estão a trabalhar para que as capas de álbuns assumam mais uma vez a sua forma como arte. Estes designers experimentam novas ferramentas e idealizam novos planos para reinventar a arte de álbum na era digital, respeitando ainda os movimentos tectónicos que por ultimo governam a industria musical.

No âmbito da situação actual, os designers encaram alguns desafios devido ás restrições no tamanho da imagem da capa de álbuns.  “As bandas ainda tem uma noção “romântica" de que a sua arte vai ser editada em 30x30cm num fantástico LP e com uma imagem "gloriosa" afirma Maggie Fost, designer da Merge Records. “Mas quando faço uma capa de álbum, insiro alguns elementos de design para de seguida zoom out até a um tamanho de 50x50 pixeis. Já que no Amazon e no iTunes as imagens parecem nesse tamanho.

Tudo isto nos chega numa altura em que as bandas necessitam de uma boa arte de álbum, mais do que nunca. Estas estão a tocar para plateias cada vez maiores e com menor apoio das editoras. De facto, Brian Stuhlmacher, presidente da cddesign.com, uma divisão da DiscMasters, refere que a arte de álbum ajuda a fomentar a falta de apoio à imagem pelas editoras, que cada vez apostam menos na promoção dos artistas.  

“As maiores editoras estão a afastar-se de algo em que eram extremamente eficazes no passado, que era o desenvolvimento de uma acto particular ou do artista, afirma Stuhlmacher. “Agora as editoras tendem a assinar uma série de actos e a atira-los contra as paredes de rádio para verem o que “pega".


Entidades como a
cddesign.com estão a trabalhar com os artistas e editoras para definirem a próxima fase do design do álbum. Algumas das ideias (tais como concursos online que interagem com os ouvintes) parecem saídas de um manual de design web avançado; outras (como menus do estilo DVD) possuem o potencial para oferecer mais informação de uma forma mais facilmente absorvível.

George White, vice-presidente para estratégia e desenvolvimento de produtos da Warner Music Group, reuniu um pacote digital de demonstração para a Apple, para que a arte de álbum seja transformada em algo mais que uma imagem Jpeg num iPod.

“Andamos a pesquisar algumas novas tecnologias (para arte de álbum digital), e estamos a tentar entregá-las à Apple, de forma a encorajá-los a levar esse grau de experiência para o iPod, declarou White. Uma demonstração muito simples do que fizemos, leva as notas lineares de Gnarls Barkley e efectua um “fly.through" (utilizando o Adobe Flash Lite). De facto você irá mover-se por entre as letras e o trabalho artístico. É uma espécie de um passeio numa montanha russa através do álbum. É mesmo muito interessante ver isto num iPod.

(A Apple ainda não deu uma resposta com a sua opinião sobre as sugestões da Warner Music Group)

White também lembrou o pacote “Warner´s Wamo", atravé
s do qual os utilizadores japoneses de telemóveis possuem acesso a álbuns digitais, com toques de telemóvel, vídeo, faixas completas e entrevistas aos artistas. Os pacotes Wamo não são uma novidade, já que foram lançados há mais de um ano, mas White afirma que Warner planeia produzir mais destes pacotes. Também mencionou que enquanto os pacotes Wamo utilizam Synchronized Multimedia Integration Language, ou SMIL, para os seus menus interactivos, o Adobe Flash Lite será um candidato mais propício para o “nível de sofisticação que o publico espera dos artistas do grupo Warner Music).

(A Adobe já confirmou que demonstrações da Warner iPod/Flash Lite já ocorreram, mas que a empresa ainda não anunciou algum plano em conjunto para que sejam utilizados nos álbuns da próxima geração, Flash ou Flash Lite.)

White afirma ainda que a partir do momento em que o trabalho de arte digital comece a correr em computadores e portáteis, a fase seguinte irá envolver equipamento de entretenimento para massas. “Se mover esse conteúdo para a sua Xbox 360, Playstation 3 ou Wii, será que podermos fazer mais em termos de interactividade? Existe um melhor trabalho gráfico? Com certeza haverá trabalho de arte de alta definição
a ser introduzida quando atingirmos esse ponto."

Devido a todos os factores envolvidos, o futuro da arte de álbum, depende de quais os formatos de embalagem que irão emergir como standard para computadores, aparelhos portáteis e televisões. White pensa que a hora de entregar novas embalagens digitais de álbum é agora, no presente e que um standard aberto irá emergir por si mesmo.

“Não existe uma razão para que este conceito seja difundido pela indústria. Isso é o que nos gostaríamos de impulsionar… criando conteúdos que irão compelir esse avanço, outros irão copiá-lo e esse standard irá emergir, explicou White.

Maggie Fost concorda com estas previsões e adianta que “o problema sobre arte digital irá resolver-se sozinho provavelmente nos próximos dois anos". No entanto está preocupada com as editoras independentes. No caso destas,“É ainda uma questão de recursos de design", afirma Fost, especialmente porque estes desenham 15 versões diferentes para cada capa de álbum devido aos diferentes formatos e material de promoção.

Os fãs poderiam encher a lacuna, oferecendo algum do conteúdo através de concursos e outros esforços de colaboração. “Esperemos que se chegue a um ponto, onde os próprios artistas consigam criar as suas experiências multimédia, para acompanhar os seus álbuns digitais." Declarou Jadon Ulrich, designer da Saddle Creek Records.

Em último caso a embalagem digital poderá reinventar as capas de álbum, tirando por fim vantagem da digitalização da música sem ser por conveniência mas sim por um maior
leque de possibilidades. A geração MTV que cresceu privada de grandes capas de álbuns, apesar de tudo poderá dar a ultima gargalhada.

Fonte: www.wired.com
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