Ao atravessar as águas do Mondego, sobre a ponte de Santa Clara, avista-se uma cidade intemporal, quase tão antiga como a língua portuguesa. Aquela língua que para todos nós ainda é um dos mais valiosos patrimónios. A língua em que Camões escreveu os Lusíadas.
Chegamos mesmo a pensar se as águas deste rio não são um acumular de lágrimas. De tantos estudantes que por aqui passaram e que por aqui deixaram ficar as mais ternas felicidades, loucuras e leviandades, tristezas e alegrias, os amores e as paixões, transformados em saudades adivinhadas, do Brasil, das Áfricas, das ilhas, e dos cantos de toda a Lusitânia. E se as canções urbanas são fruto de uma série de influências musicais, vindas de outras regiões, locais e culturas que convergem num ponto e que acabam por criar uma nova forma de expressão, então é isso, é este o segredo desta canção. As músicas que os estudantes trouxeram fundiram-se no espírito que esta cidade já trazia e traz consigo, criando assim a magia daquela que mais tarde se viria a transformar na Canção melancólica da "saudade adivinhada", a "Canção de Coimbra".
Percorrendo ainda as ruas da cidade, mergulhamos num aglomerado de sensações, retratadas pela arquitectura histórica e, por fim, se não se vê ou não se ouve, pressente-se a vivência do espírito estudantil da cidade.
Diverso das escadarias das universidades ou das igrejas, ou das ruas estreitas cuja acústica convida ao canto ocasionais grupos de jovens ébrios e apaixonados; depois de tantos anos em que tantos acusavam o que diziam ser o marasmo absoluto da Canção de Coimbra, surge o local de culto, O retrato de uma tradição inventada que se perde com a evolução natural da vida? Ou a natural evolução desta arte de cantar à Vida?
Rua Corpo de Deus, Capela da Nossa Senhora da Vitória. Abre-se uma porta já fora de horas para missas ou sermões. Trata-se de uma capela transformada em "Casa de Fados". Se na chegada à cidade se pode ver tudo aquilo que dela se diz, aqui surge subitamente todo o espírito da cidade. Uma tradição renovada, de olhos bem abertos, de alma estendida para uma nova ponte. Ainda sem nome, com destino talvez não santo mas certamente claro: uma esperança tão forte e tão mágica que nos faz quase retornar aos tempos em que esta era uma música prenhe de influências de outras músicas e de outras culturas. A história renascida de uma música sempre em fase de embrião que só pode continuar a crescer e a despertar para novos horizontes, atravessando as águas do Rio Mondego e de além-mar, para contar ao mundo uma das belas histórias de amor de sempre, com nome de cidade: Coimbra.
Os músicos do projecto "Coimbra" não poderiam ser senão músicos de Coimbra, filhos de músicos e cantores de Coimbra, eternamente estudantes de Coimbra. Impregnados do espírito indelével que a cidade lhes imprimiu, fazem esta canção ressurgir no panorama musical português, e querem dá-la a conhecer ao mundo.
Para além da Guitarra Portuguesa, ou Guitarra de Coimbra, da Guitarra Clássica ou Viola de Fado, da voz melancólica, impressionista e expressiva do cantor ou trovador, surgem novos elementos que contribuem para esta tradição renovada. Agora também o Contrabaixo, incondicionalmente ligado a este projecto, traz o ritmo, o chão e o calor da aventura de novas composições, novos poemas, novas melodias, novas histórias, que nos falam hoje da vida real, mais presente, sem perder de forma alguma a linguagem que a viu nascer e crescer. Em alguns dos temas do disco de estreia, existem outros elementos convidados, como o Saxofone e a Percussão.
"Coimbra" não é um projecto de música portuguesa com influências da canção mais tradicional da cidade. Também não é a Canção de Coimbra com novas roupagens, evocando "com-fusões" com outros géneros musicais mais actuais à procura de novo brilho.
A simplicidade é um dos factores mais difíceis de alcançar na música, e também nesta música, como em todas as canções urbanas, por isso mesmo a mais valiosa, aquela que tem de ser sempre defendida, nas palavras, nas melodias, nos arranjos e em toda a encenação envolvida.
"Coimbra" pretende visitar as suas origens, que nos puxam como um íman, e interpretá-las hoje, percorrendo a ponte para o futuro e para o mundo.
Novo trio quer trazer «mais cor» à música de Coimbra
«Coimbra», um novo trio - guitarra, viola e voz -, que apresenta o seu álbum de estreia quarta-feira em Lisboa, procura trazer a canção coimbrã «à ribalta», disse Pedro Lopes, o violista do grupo.
«É uma tentativa de trazer para a ribalta a música de Coimbra, que se tem mostrado relativamente arredada dos circuitos musicais«, assinalou Pedro Lopes.
Os Coimbra são Pedro Lopes (viola), Ricardo Dias (guitarra de Coimbra) e João Farinha (voz). O projecto começou há cerca de ano e meio quando Pedro Lopes e Ricardo Dias, que anteriormente estiveram envolvidos num quinteto, começaram «a reflectir numa maneira de a canção de Coimbra ter o fôlego poético e musical que já teve».
O álbum, constituído na sua maioria por originais, à excepção do instrumental «Dança» de Carlos Paredes e de «Porto Santo (Mar Português)» de Fernando Pessoa e Paredes, com arranjos de Pedro Lopes, é apresentado quarta-feira próxima, na Fábrica de Braço de Prata, Lisboa.
O CD é composto por temas instrumentais como «Dança», «Mosaicos» e «Balada Sem Destino», estas dois últimos da autoria de Ricardo Dia, e outros cantados, de poetas como Antero de Quental, Mário Cesariny e Miguel Torga. «Escolhemos poetas de referência de que gostamos e para os quais se fizeram músicas novas», indicou.
Às tradicionais guitarra e viola, os Coimbra juntam os pianos de Augusto Mesquita e Paulo Figueiredo, o saxofone e flauta transversal de Eddy Jam e as percussões de Quim Né. «O fado de Coimbra é um pouco a preto e branco e a introdução de outros instrumentos traz mais cor à musicalidade», defendeu Pedro Lopes.
O trio pretende «trazer modernidade ao som coimbrão, mantendo a base tradicional, procuramos novos caminhos, outras sonoridades que se podem associar sem desvirtuar a matriz«, explicou. «São estas influências que farão crescer o fado de Coimbra, que precisa de extravasar as fronteiras formais», acrescentou.
De Cesariny escolheram «Poema», que João Farinha e Ricardo Dias musicaram, de Antero, «Maria«, de Gedeão, «Dez réis de esperança«, estes dois últimos com música de Farinha.Fernando Pessoa é o único poeta que bisa a presença, com «Porto Santo (Mar Português)« e «Sim». «Fuga«, de Luís Santos e João Farinha, é o único tema original composto para o disco.
Os Coimbra prevêem realizar uma digressão nacional «pelos principais cine-teatros e auditórios» a partir de 8 de Setembro.
Cepa Torta_04-06-2008
Companheiros, que saudade... a saudade que eu tenho de
Coimbra! Apesar de estar aqui a representar o meu grupo de
musica tradicional "Cepa Torta", continuo a cantar
fado-Canção de Coimbra. Tenho as vossas vozes e guitarras
sempre comigo no carro e em casa. No coração tenho aquilo
que ainda ninguém conseguiu explicar, mas só alguns
tiveram o privilégio de viver. Obrigado pela saudade e
amizade! Dominique Ventura
Lost and Found_20-05-2008
Parabéns pelo trabalho. Lost and Found é um projecto
recente de música intrumental Rock. Visita este palco.
Abraço
jose vadinho_19-05-2008
Olá amigos,a guitarra de fados sempre foi um instrumento
que me agradou bastante desde o seu som á tecnica,e ao
escutalos a vocês encontro essa satisfação felicitações
pelo vosso trabalho, fica aqui o convite para visitarem o
palco e deixarem tambem a vossa opinião obrigado VADINHO.
Marta Ascensão_06-05-2008
Ouvi-vos e adorei!É sem dúvida um projecto de grande
qualidade e que demonstra uma grande capacidade de trabalho
interpretativo e muito talento criativo... A inclusão das
Variações em Lá Menor pelo excelente João Bagão é uma
mais valia. Parabéns!
Iládio Amado_20-04-2008
grande voz, grandes temas, grande instrumentação! muito
bom o projecto! boa sorte com tudo! passem no meu palco e
oiçam uns sons se vos apetecer! tenho lá vários
projectos! abraços!
BOOMERANG_19-04-2008
Obrigado! Coimbra é Coimbra!...
Bom trabalho! Um abraço dos Boomerang!
Katia Maria de Medeiros_11-04-2008
Tenho com voces a oportunidade de conhecer um pouco da
canção portuguesa. Bela mas um pouco melancolica
geó_10-04-2008
Percebo que vocês deram uma inovada no tradicional do FADO
isso enriquece a música do Pais de vocês e ao mesmo tempo
deixa a nova geração mais a vontade para
admira-la...Parabéns_abraços GEOH
DJota_08-04-2008
São cá da terra e só por isso merecem toda a minha
atenção. O fado, tesouro da nossa cultura está muito bem
representado por voçês. Divirtam-se.
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