Vento forte (pra papagaio subir)
15.08.08Identificação orgânica com o que se faz, direta ou indireta. Escutar soarem novíssimas as novas canções que surgem.
Sentar no sofá, jogar a cabeça pra trás e, em roda, num silêncio quase sepulcral, deixar escapar um sorriso para o nada, pensando na massa sonora destilada pelo rádio. É como ficou; são os novos "eus" e os novos "nós" que ali estão. Até mesmo meu infinito silêncio se faz cabal neste interím.
Amanhã, quem sabe, não seja assim. E provavelmente não será. Tanto melhor. Que a cada nova música, reconstruam-se ou revolucionem-se nossos pedaços de existência, que morram e renasçam novas apatias e convulsões. Que novas criações façam mesmo o inexorável tic-tac do relógio parecer mais sincero e agradável.
Eis o que fomos e também já não somos. Eis uma parte recortada da interminável colagem de nossas vidas.
Eis a nova idade.



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