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Vento forte (pra papagaio subir)

15.08.08

Identificação orgânica com o que se faz, direta ou indireta. Escutar soarem novíssimas as novas canções que surgem.





Sentar no sofá, jogar a cabeça pra trás e, em roda, num silêncio quase sepulcral, deixar escapar um sorriso para o nada, pensando na massa sonora destilada pelo rádio. É como ficou; são os novos "eus" e os novos "nós" que ali estão. Até mesmo meu infinito silêncio se faz cabal neste interím.





Amanhã, quem sabe, não seja assim. E provavelmente não será. Tanto melhor. Que a cada nova música, reconstruam-se ou revolucionem-se nossos pedaços de existência, que morram e renasçam novas apatias e convulsões. Que novas criações façam mesmo o inexorável tic-tac do relógio parecer mais sincero e agradável.





Eis o que fomos e também já não somos. Eis uma parte recortada da interminável colagem de nossas vidas.





Eis a nova idade.

Nem não, nem sim

23.04.08

O que significa fazer parte de um grupo de amigos que tocam?


Pois é. As pessoas pensam que começa e acaba ali. Mas não é não.


Para o ré da minha guitarra, combinar com o lá do contra-baixo e combinar com a tercina da bateria e combinar com a ambientação do sintetizador, e para que tudo isso vire mais do que mais uma canção-improvisada, a gente tem que fazer muito mais: jogamos futebol juntos, cozinhamos juntos, brigamos um com o outro e damos um tempo juntos.


Nem tudo é exatamente como a gente quer, mas isso é melhor ainda! Podemos até reclamar!


As vezes eu penso: "Pô, tá bom. To curtindo pra caralho, isso que vale. A galera é muito firmeza". E, em outras, eu penso: "Pô, tá uma bosta, pelo menos pra mim. Eu to meio de gaiato, vou deixar os caras na deles. Isso não é minha praia". Ai não sei o que fazer.


Desapareço uns tempos. Ninguém entende, nem eu mesmo. Não consigo falar boa parte das coisas mais importantes pras pessoas mais queridas e isso se deve a seriedade com a qual eu tenho essas relações.


Porém, recentemente, aprendi a improvisar com o coração, seja aonde for: numa escala de Lá Menor ou na quadra do Carlão. Aprendi a responder com sinceridade a estímulos exteriores.


Ainda falta aprender a fazer nascer. A criar e expulsar de sí a estrela bailarina.


Enquanto isso, vamos jogando baralho juntos, vendo TV, cozinhando vaca-atolada e descobrindo as tecnologias musicais. Das muitas coisas que fazemos juntos, só há uma que fazemos juntos e separados, concomitantemente: Devagar e sem pressa, vamos amando juntos e separados. Cada um com seu qual, cada um com seu todo.


Todo que nasce e cresce dentro de sí.

A busca profícua

02.04.08
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Ainda fico puto quando falta a exclamação em "Malditas Ovelhas!". Não é tão difícil de entender que o nome é, na verdade, uma expressão, e não um auto-título. Nunca foi o objetivo nos proclamarmos malditos; muito menos ovelhas!

(Essa merda de site não me deixa escrever o nome com exclamação, e isso me deixa puto também: ter que ser conivente com um erro que muito deprecio)


Temos ensaio em 1 hora e ando perdido pelo mundo virtual. Maravilhado com os novos encontros musicais e deslumbrado com a proficuidade de projetos interessantes que passam LONGE da grande mídia. Grupos majoritariamente desconhecidos mas comprometidos com uma causa central há muito esquecida: a Música; arte das musas.

E vamos jogando com a revolução tecnológica ombro a ombro. Sem idolatrias ou falsos repúdios. Usamos o que temos para descobrir o que buscamos. E muita gente também o faz.

Um viva as mídias interativas e alternativas!
Um viva especial à Internet!

E mais um viva às exclamações (que, por vezes, omitimos) !!