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Azul-Portinari

Vieram me dizer, numa terça de manhã, que nada é por acaso, que nada é aleatório e que tudo tem uma linha fina, porém real, de ligação perpétua

Vieram me dizer, numa sexta de madrugada, que as coisas não tem ligação e que a aleatoriedade e o caos deveriam ser proclamados reis e rainhas do mundo moderno

Me disseram para prestar a atenção no céu, quando eu viajava, longe das redondezas de origem: "O céu aqui é diferente, o azul é mais escuro, é difícil de explicar"

Tudo que descubro (há tempos já aboli a palavra "criar"), eu descubro e ninguém mais. Não importa se é bom, ruim, novo ou pós-moderno. A única bandeira que iço traz os dizeres: "Foi sincero". As experiências passadas, que vão desde o amor materno até o tombo daquela árvore, passando pelas histórias do irmão, as rúculas no quintal, o latido do cachorro, as músicas do vizinho e um infinito etc, são, definitivamente, motores dessa descoberta, e de posteriores modelagens

Dizem que ninguém, jamais, conseguiu copiar com exatidão o azul dos quadros de Portinari. Havia algum segredo na mistura das tintas, e no jeito do pincel, e no modo de secar, e, e, e...

Mas quem já olhou o céu de Brodowski, compreende o seu segredo.

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