ENTREVISTA DA PRADO BLUES BAND - ROCKPRESS
14.02.07
Prado Blues Band / André Azenha
Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007 (19:03:38)
WB entrevista um dos nomes mais bacanas do gênero do país, a Prado Blues Band, raro exemplo de banda que segue o jump blues, ou west coast blues, uma antiga e deliciosa fusão do blues tradicional com o swing jazz produzido entre os anos 30 e 40. Ainda a programação completa do Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga (CE).
Por André Azenha
Walking Blues
André Luiz Azenha
Com dois álbuns de canções próprias na praça (os bons Prado Blues Band, de 2003 e Blues and Swing, de 2005), o quarteto formado por Yuri Prado na bateria, Igor Prado na guitarra e voz, Ivan Marcio na harmônica e voz e Marcos Klis no baixo, lançou ano passado Flávio Guimarães & Prado Blues Band, magnífica coleção de deliciosos blues eleita por esse espaço como um dos melhores trabalhos de 2007.
Entrevista – Prado Blues Band
A Prado nasceu das mãos dos irmãos Igor e Yuri Prado, músicos experientes do cenário paulista e que já trabalharam, gravaram e/ou dividiram o palco com feras como Robson Fernandes, Sérgio Duarte, Marcos Ottaviano, Rod Pizza, Kenny Neal, John Hammond, J.J Jackson, Billy Branch, Eric Gales, Holland K. Smith, Nuno Mindelis, Enrico Crivellaro, Donny Nichilo, Jamie Wood, Johnny Rover e Steve Guyger (ufa!).
Após o lançamento do debut, conseguiram elogios das mídias especializadas brasileira e estrangeira, tornaram-se figurinhas carimbadas nos melhores eventos e shows pelo país, despertaram a atenção do gaitista Flávio Guimarães e fizeram da parceria uma obra magnífica, em que se destacam as faixas “Riding With Ray”, “George’s Boogie”, “Swing Me Baby” e principalmente “Going Home Tomorrow”, canção arrastada com voz assombrosa.
Em entrevista a Walking Blues/RP, Igor Prado falou da repercussão do CD, do jump blues, da dificuldade que existe para o músico brasileiro, dos projetos para esse ano que incluem continuar a atual turnê, um disco solo de Igor e um novo da Prado.
Interessados em conferir músicas e vídeos e saber mais sobre o quarteto, basta conferir o bacana site oficial ou a home de Flávio Guimarães .
A seguir, o bate-papo completo.
Site oficial:
Jerry Hall, renomado produtor americano e dono da Pacific Blues, falou sobre o terceiro trabalho de vocês com Flávio Guimarães: "O Brasil não é conhecido pelo blues, mas Flávio Guimarães e Prado Blues Band estarão mudando isso com seu mais novo CD!" Alguns músicos como Nuno Mindelis e Big Gilson conseguem certo reconhecimento lá fora. O blues brasileiro atualmente está em pé de igualdade com o feito no exterior? Existe algum tipo de preconceito do público gringo com bluesmen daqui?
O Jerry Hall, que já trabalhou na famosa Motown nos anos 60 e já gravou pesos pesados como Marvin Gaye, Smokey Robinson, Stevie Wonder, Kim Wilson, Little Charlie and The Nightcats, é especializado em produzir straight blues, blues tradicional, aquele blues que era tocado nos anos 40, 50 e 60, que foram os anos de "ouro" como dizem os americanos. Então ele ficou impressionado como uma banda do Brasil estava gravando, tocando e estudando essa onda mais vintage de blues que lá nos EUA poucos estão dando continuidade. Talvez esse seja o primeiro trabalho nesse estilo mais vintage reconhecido lá fora. Eu acredito que hoje existe muito mais abertura para bandas de fora, nos EUA tem muita banda da Europa bem conhecida no cenário, mas pra a gente que é da América Latina é bem mais difícil mesmo.
O blues, por mais que tenha seguidores fiéis, é um gênero restrito a um certo público. Como sobreviver do blues no Brasil, que não tem um mercado estabelecido do gênero? Todos da Prado Blues vivem apenas da banda?
O difícil hoje não é só sobreviver de blues, mas sim de música. Está difícil pro pessoal de jazz, de samba de raiz do choro etc. Mas dá para conciliar vários trabalhos; produzindo, tocando, aí viabiliza mais. Na Prado, o único que não vive de música é o Yuri, que trabalha como designer. Mas mesmo na profissão dele, está sempre fazendo capa de CDs vintage, cartazes de shows etc (risos).
Como está a repercussão do último álbum feito em parceria com Flávio Guimarães? Como rolou o contato para que gravassem juntos?
A repercussão é ótima tanto fora quanto no Brasil. Vendemos mil cópias em quatro meses, uma média muito boa hoje em dia, vendemos bastante CDs pela Pacific Blues também lá fora. O lance dessa parceria surgiu de jams com o Flávio e como ele curtia as mesmas coisas que a gente, resolvemos gravar junto.
O disco é mais de vocês ou dele?
O disco é meio a meio, tem músicas minhas, músicas do Flávio, ele canta algumas eu canto outras, está bem diversificado.
Vocês estão fazendo turnê em conjunto? E quem quiser ouvir ao vivo as músicas dos outros discos da banda?
Sim, estamos fazendo juntos os shows do projeto desse novo CD. Têm rolado muitos shows legais em 2007, e nos shows também tocamos algumas músicas dos outros discos da Prado.
O que vocês podem dizer para que o expectador que prefere um blues mais cadenciado, preste mais atenção no Jump Blues?
O jump blues está inserido nessa onda de blues vintage (straight blues), aquele lance que era tocando nos anos 40 e 50. Pra você tocar jump blues, tem que conhecer a fundo a linguagem de blues tradicional e não tem como você fazer um show só de jump blues. O que a gente toca nos shows e no disco é straight blues, jump, chicago, R&B, tudo nessa onda mais antiga e primitiva (risos).
Quando rola CD só da Prado Blues Band? Previsão de lançamento? Estão compondo alguma coisa?
Já temos dois CDs da Prado Blues Band, inclusive o Blues n Swing é um dos mais vendidos pelo site da Pacific Blues. Atualmente estou para lançar meu trabalho solo (Igor Prado) e estamos pensando um disco novo da Prado Blues Band pro final desse ano. Estamos querendo fazer um lance diferente desses três primeiros álbuns, mas sempre continuando com a influência do blues tradicional.
O que vocês acham do cenário do blues brasileiro? Gostam de alguém especificamente?
O cenário parece que está dando uma aquecida. Nesses anos têm rolado festivais bem legais pelo Brasil.
Das feras com as quais vocês dividiram o palco, como Enrico Crivellaro (James Harman, Royal Crown Revue), o pianista de Chicago Donny Nichilo (que já integrou a banda de Buddy Guy), o gaitista Johnny Rover, a cantora de blues/swing Jamie Wood e o gaitista Steve Guyger, quem marcou mais, e houve alguma decepção?
Todos marcam porque é praticamente a única oportunidade que a gente tem de fazer esse intercâmbio aqui no Brasil. Por enquanto não rolou decepção.
Projetos para 2007?
Fazer shows divulgando o disco novo com o Flávio, lançar meu disco solo e no final do ano entrar em estúdio com a PBB.
Querem deixar algum recado para os bluseiros?
Bluseiros, continuem blueseiros (risos).
Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007 (19:03:38)
WB entrevista um dos nomes mais bacanas do gênero do país, a Prado Blues Band, raro exemplo de banda que segue o jump blues, ou west coast blues, uma antiga e deliciosa fusão do blues tradicional com o swing jazz produzido entre os anos 30 e 40. Ainda a programação completa do Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga (CE).
Por André Azenha
Walking Blues
André Luiz Azenha
Com dois álbuns de canções próprias na praça (os bons Prado Blues Band, de 2003 e Blues and Swing, de 2005), o quarteto formado por Yuri Prado na bateria, Igor Prado na guitarra e voz, Ivan Marcio na harmônica e voz e Marcos Klis no baixo, lançou ano passado Flávio Guimarães & Prado Blues Band, magnífica coleção de deliciosos blues eleita por esse espaço como um dos melhores trabalhos de 2007.
Entrevista – Prado Blues Band
A Prado nasceu das mãos dos irmãos Igor e Yuri Prado, músicos experientes do cenário paulista e que já trabalharam, gravaram e/ou dividiram o palco com feras como Robson Fernandes, Sérgio Duarte, Marcos Ottaviano, Rod Pizza, Kenny Neal, John Hammond, J.J Jackson, Billy Branch, Eric Gales, Holland K. Smith, Nuno Mindelis, Enrico Crivellaro, Donny Nichilo, Jamie Wood, Johnny Rover e Steve Guyger (ufa!).
Após o lançamento do debut, conseguiram elogios das mídias especializadas brasileira e estrangeira, tornaram-se figurinhas carimbadas nos melhores eventos e shows pelo país, despertaram a atenção do gaitista Flávio Guimarães e fizeram da parceria uma obra magnífica, em que se destacam as faixas “Riding With Ray”, “George’s Boogie”, “Swing Me Baby” e principalmente “Going Home Tomorrow”, canção arrastada com voz assombrosa.
Em entrevista a Walking Blues/RP, Igor Prado falou da repercussão do CD, do jump blues, da dificuldade que existe para o músico brasileiro, dos projetos para esse ano que incluem continuar a atual turnê, um disco solo de Igor e um novo da Prado.
Interessados em conferir músicas e vídeos e saber mais sobre o quarteto, basta conferir o bacana site oficial ou a home de Flávio Guimarães .
A seguir, o bate-papo completo.
Site oficial:
Jerry Hall, renomado produtor americano e dono da Pacific Blues, falou sobre o terceiro trabalho de vocês com Flávio Guimarães: "O Brasil não é conhecido pelo blues, mas Flávio Guimarães e Prado Blues Band estarão mudando isso com seu mais novo CD!" Alguns músicos como Nuno Mindelis e Big Gilson conseguem certo reconhecimento lá fora. O blues brasileiro atualmente está em pé de igualdade com o feito no exterior? Existe algum tipo de preconceito do público gringo com bluesmen daqui?
O Jerry Hall, que já trabalhou na famosa Motown nos anos 60 e já gravou pesos pesados como Marvin Gaye, Smokey Robinson, Stevie Wonder, Kim Wilson, Little Charlie and The Nightcats, é especializado em produzir straight blues, blues tradicional, aquele blues que era tocado nos anos 40, 50 e 60, que foram os anos de "ouro" como dizem os americanos. Então ele ficou impressionado como uma banda do Brasil estava gravando, tocando e estudando essa onda mais vintage de blues que lá nos EUA poucos estão dando continuidade. Talvez esse seja o primeiro trabalho nesse estilo mais vintage reconhecido lá fora. Eu acredito que hoje existe muito mais abertura para bandas de fora, nos EUA tem muita banda da Europa bem conhecida no cenário, mas pra a gente que é da América Latina é bem mais difícil mesmo.
O blues, por mais que tenha seguidores fiéis, é um gênero restrito a um certo público. Como sobreviver do blues no Brasil, que não tem um mercado estabelecido do gênero? Todos da Prado Blues vivem apenas da banda?
O difícil hoje não é só sobreviver de blues, mas sim de música. Está difícil pro pessoal de jazz, de samba de raiz do choro etc. Mas dá para conciliar vários trabalhos; produzindo, tocando, aí viabiliza mais. Na Prado, o único que não vive de música é o Yuri, que trabalha como designer. Mas mesmo na profissão dele, está sempre fazendo capa de CDs vintage, cartazes de shows etc (risos).
Como está a repercussão do último álbum feito em parceria com Flávio Guimarães? Como rolou o contato para que gravassem juntos?
A repercussão é ótima tanto fora quanto no Brasil. Vendemos mil cópias em quatro meses, uma média muito boa hoje em dia, vendemos bastante CDs pela Pacific Blues também lá fora. O lance dessa parceria surgiu de jams com o Flávio e como ele curtia as mesmas coisas que a gente, resolvemos gravar junto.
O disco é mais de vocês ou dele?
O disco é meio a meio, tem músicas minhas, músicas do Flávio, ele canta algumas eu canto outras, está bem diversificado.
Vocês estão fazendo turnê em conjunto? E quem quiser ouvir ao vivo as músicas dos outros discos da banda?
Sim, estamos fazendo juntos os shows do projeto desse novo CD. Têm rolado muitos shows legais em 2007, e nos shows também tocamos algumas músicas dos outros discos da Prado.
O que vocês podem dizer para que o expectador que prefere um blues mais cadenciado, preste mais atenção no Jump Blues?
O jump blues está inserido nessa onda de blues vintage (straight blues), aquele lance que era tocando nos anos 40 e 50. Pra você tocar jump blues, tem que conhecer a fundo a linguagem de blues tradicional e não tem como você fazer um show só de jump blues. O que a gente toca nos shows e no disco é straight blues, jump, chicago, R&B, tudo nessa onda mais antiga e primitiva (risos).
Quando rola CD só da Prado Blues Band? Previsão de lançamento? Estão compondo alguma coisa?
Já temos dois CDs da Prado Blues Band, inclusive o Blues n Swing é um dos mais vendidos pelo site da Pacific Blues. Atualmente estou para lançar meu trabalho solo (Igor Prado) e estamos pensando um disco novo da Prado Blues Band pro final desse ano. Estamos querendo fazer um lance diferente desses três primeiros álbuns, mas sempre continuando com a influência do blues tradicional.
O que vocês acham do cenário do blues brasileiro? Gostam de alguém especificamente?
O cenário parece que está dando uma aquecida. Nesses anos têm rolado festivais bem legais pelo Brasil.
Das feras com as quais vocês dividiram o palco, como Enrico Crivellaro (James Harman, Royal Crown Revue), o pianista de Chicago Donny Nichilo (que já integrou a banda de Buddy Guy), o gaitista Johnny Rover, a cantora de blues/swing Jamie Wood e o gaitista Steve Guyger, quem marcou mais, e houve alguma decepção?
Todos marcam porque é praticamente a única oportunidade que a gente tem de fazer esse intercâmbio aqui no Brasil. Por enquanto não rolou decepção.
Projetos para 2007?
Fazer shows divulgando o disco novo com o Flávio, lançar meu disco solo e no final do ano entrar em estúdio com a PBB.
Querem deixar algum recado para os bluseiros?
Bluseiros, continuem blueseiros (risos).



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