Rock pede passagem na cidade canção !!!
música - rock pede passagem na cidade canção
conhecida pelos festivais de música popular, nos quais se sobressaem o som regional e a toada sertaneja, maringá vira celeiro de bandas
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 cidade de maringá, no noroeste do estado, é famosa pelo apelido de cidade canção, conquistado pela música em homenagem ao nome e reforçado pelo festival de música cidade canção (femucic), que acontece desde 1977 e reúne músicos de vários estados em um clima que lembra muito os grandes festivais da década de 60.
fotos: eduardo anizelli
unidos pelo companheirismo e pela luta comum,
músicos tentam fortalecer as bandas da cidade
mas, se engana quem pensa que maringá só tem músicos de mpb, música regional e sertanejo. é no rock que muitos jovens se inspiram e descobrem um meio de ter a própria banda. são 115 cadastradas na cidade, mas o número total deve ser muito maior. ''faço parte de uma banda registrada, mas tenho outras três que não estão na estatÃstica'', afirma hastan palim, baterista da banda a 6 geração da famÃlia palim do norte da turquia.
os grupos não se limitam a tocar apenas na cidade natal. maringá também exporta seus talentos. os nomes mais conhecidos do público atual são seres inteligÃveis vindos do hiperurano, famÃlia palim, the stoned sensation, a inimitável fábrica de jipes, foolish e the lorean. ''algumas tocam até mais fora do que em maringá, sem falar das bandas que começaram aqui e hoje estão morando e atuando na inglaterra e nos estados unidos ou mesmo em outros estados brasileiros'', diz o integrante da the stoned sensation (tss), fábio pereira.

na agenda da the stoned sensation, shows em cuiabá e
campo grande e a vontade de chegar ainda mais longe
a própria tss é um exemplo de grupo que começa a alcançar outros territórios. formada por três amigos de infância, a banda já se apresentou em londrina, arapongas, mandaguari, cuiabá e campo grande, acompanhados pelos amigos da famÃlia palim. ''para tocar fora, precisa correr atrás. uma banda ajuda a outra, apresenta as pessoas certas. nos shows sempre tem gente que vem conversar porque se interessou. tem de estar sempre procurando'', garante hassanz palim, guitarrista e vocalista da famÃlia palim.
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disposição para descobrir lugares onde tocar é
o que não falta aos integrantes da famÃlia palim
''hoje, com a internet, ficou mais fácil. a gente consegue bastante coisa pelo orkut, e-mail e sites sobre o assunto'', completa franciano de paula, integrante da tss. ''se não tem um lugar para tocar, a gente arranja. estamos sempre procurando uma chácara, uma república ou um bar para tocar. em maringá não existem muitas opções para o rock e ficar esperando ser convidado não dá'', explica hassen palim, guitarrista da famÃlia palim.
outra diferença das bandas maringaenses é que muitas delas não fazem cover de grupos famosos. as composições próprias são, segundo os músicos, um dos motivos para o sucesso fora de casa. ''hoje, acredito que seja a melhor fase do rock em maringá. as bandas estão compondo e gravando seus cds'', diz hassen. pensando em suprir a necessidade das bandas locais, franciano de paula, da tss, está montando um estúdio na cidade. ''a intenção é oferecer gravação para qualquer estilo e trabalhar o selo low records com bandas de rock independente. queremos buscar talentos e investir neles'', explica.
apesar dos shows, cds e do futuro estúdio, a vida dos roqueiros está longe de ser cheia de glamour e mordomia. ''somos nós e nossos pais que bancam as bandas. não temos apoio da prefeitura e de nenhum outro órgão governamental. londrina, por exemplo, tem uma estrutura muito melhor do que aqui'', afirma andré franco, da tss.
''somos nós que compramos os instrumentos, muitas vezes pagamos as viagens para tocar, montamos tudo no palco e desmontamos tudo depois do show. nada é fácil ou de graça. estamos juntos desde 2003 e só agora a coisa está acontecendo de verdade. precisa de muita paciência'', garante fábio pereira, da tss. ''infelizmente a lei de incentivo à cultura não contempla bandas de rock e o femucic privilegia mais músicas de outros estilos. mas, se a gente não fizer rock nessa cidade, quem vai fazer?'', comenta hernandes, tecladista da seres inteligÃveis vindos do hiperurano.
talvez, por tantas dificuldades, os músicos garantam que nem sempre a safra de bandas foi tão rica. ''houve uma época em que tinha muita banda. daÃ, elas diminuÃram e agora voltou a aumentar o número de grupos. algumas bandas acabam, mas os integrantes continuam tocando'', lembra andré, da tss. ''o rock sempre teve essa coisa de sobrevivente. chega um ponto em que as pessoas começam a sentir falta das bandas e montam as suas. acho que todos nós gostamos muito de rock e já tocamos há bastante tempo. poder tocar em uma festa e animar a galera é ótimo'', explica hassen palim.
matéria escrita pela jornalista da pequena londris
herika fondazzi



