Joshua Bell(um dos maiores violinistas do mundo) foi para o metro tocar com um Stradivarius e no meio de uma multidão indiferente e apressada, lá por fim alguém o reconheceu.
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Neste caso até já era uma celebridade, mas quantos grandes músicos se encontram aqui pelo Palco ? Até que um dia alguém (o seu público) os venha a descobrir
(excertos de texto de Marcos Davi :) Você se lembra da música instrumental feita no Brasil na década de 80? Lembra dos pianistas Marcos Ariel e César Camargo Mariano? E do grupo Cama de Gato e dos guitarristas Ricardo Silveira e Victor Biglione? E do baterista Carlos Bala? Esses músicos foram protagonistas dessa geração. Geração essa que soube valorizar arranjos, técnica, melodia e idéias novas. Pois bem. Os anos se passaram e as melodias começaram se tornar coisa rara na música instrumental. Os arranjos passaram a se chamar "improviso". Melhor nem falar sobre as idéias novas... A sorte de quem gosta da música instrumental é que a "geração 80" fez escola e o baterista Christiano Rocha é um devotado discípulo. Em "Ritmismo", seu primeiro CD solo, Christiano mostra que o músico não é mais importante que a música. Esse conceito é criteriosamente observado da primeira a última faixa. São 14 no total, que trazem participações especiais de André Geraissati, Arthur Maia, Eugênia Melo e Castro, Torcuato Mariano, John Patitucci, Emilio Mendonça, Zezo Ribeiro, Fábio Zaganin, além da produção arejada e competente do contrabaixista Cláudio Machado. Os arranjos e composições surpreendem: vez por outra começam singelos e gradualmente vão apresentando idéias mais complexas. Ouça a faixa nº1, Cavalo de Tróia, onde a delicadeza da Kalimba na introdução dá seqüência a uma divisão melódica complexa e bela.
(...) Mas o ponto alto de "Ritmismo" está em Jequibando, faixa 5. Entre vocais que "recortam" a música e os teclados de Fábio Augusto, Christiano apresenta um solo/composição cheio de idéias e vigor. O baterista mostra a precisão que só os mais técnicos instrumentistas possuem para gravar uma polirritmia tão complexa sem overdubs. A faixa é uma moderna peça para bateria arranjada com muito bom gosto.
A propósito da música, tenho encontrado no Palco o conhecimento e a cúmplice harmonia, de que este poema de Vasco Graça Moura nos fala. Aqui vai:
O suporte da música (excerto)
(...) o suporte da música pode ser uma apetência
dos seus ouvidos e do olfacto, de tudo o que se ramifica entre os timbres, os perfumes, mas é também um ritmo interior, uma parcela do cosmos, e eles sabem-no,perpassando
por uns frágeis momentos, concentrado num ponto minúsculo, intensamente luminoso, que a música, desvendando-se, desdobra, entre conhecimento e cúmplice harmonia.