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A música ao serviço da imbecilidade #3

Bicicleta + auscultadores

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Outro fenómeno fantástico, que floriu com a propagação dos leitores de mp3, e que espelha, acima de tudo, a inteligência de quem o pratica: andar de bicicleta com auscultadores (e no meio do trânsito, de preferência). É, para mim, o expoente máximo da "metroimbecilidade". Se não percebem o óbvio, eu tento explicar.

Há três maneiras de nos apercebermos que um camião nos vai abalroar: ver, ouvir e sentir. Quanto ao sentir, enfim, a única coisa que sentimos numa bicicleta é a vibração do paralelepípedo nos braços, pernas e rabo.

Restam, por isso, outros dois sentidos. A visão, como sabem, tem uma amplitude de 180º, pelo que só nos apercebemos, na melhor das hipóteses, de metade do perigo que nos rodeia.

Assim, resta a audição como único radar omnidireccional e fiável. Ainda por cima, passa pelos ouvidos (mais concretamente pelo tímpano) o equilíbrio, essencial quando se anda de bicicleta no meio de filas de trânsito, julgo.

É por isso que acho genial andar de bicicleta ouvindo as suas músicas predilectas (provavelmente, as mesmas que ouvem no emprego, em casa, no carro, etc) com auscultadores que lhes tapam e isolam os ouvidos do ruído exterior. Mais brilhante ainda, é constatar que estas mesmas pessoas não costumam dispensar o belo capacete...
O instinto de sobrevivência existe, só que está no lado errado do crânio!

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