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Tagarelando

11.05.08

Bebe meu irmão,
para que possamos juntos
Abafar as amarguras e as preocupações do labor quotidiano...
Afastemo-nos desta realidade atroz,
que nos agride e nos consome,
num dia a dia, que cada vez mais,
nos parece igual ao anterior.


Toma outro meu desgraçado!
(há já muito tempo que te limitas a existir)
Esforça-te por não pensar,
Procura meu animal,
através da tua supérflua Santa ignorância,
Atingir a felicidade.
É fácil,
Só tens que temer e exterminar o pensamento livre,
erradicar a tua própria reflexão,
(algo que em tempos fez com que fosses Humano)


E cuidado com a noite!
Pois camuflados pela ausência e luz,
saem irrequietos da mente, os mais atrozes pensamentos.
Venceram o recalcamento a que foram sujeitos pelo tempo.
Expontâneos e despreocupados,
traem o carácter que durante o dia,
poucas vezes tem a oportunidade de os expor.
Trazem com eles o passado, o presente, o futuro...
Amor, ódio conflitos e reconciliações.


Pensas por momentos na vastidão do universo, no espaço...
Situas-te nele, como se fosses um grão de areia no Sahara,
ou uma gota de água no Índico.
Revelas-te então a ti mesmo,
no que de mais profundo existe em ti.
Existes, mas não és nada.

Acto I

11.05.08

Eventualmente... (com alguma frequência para ser sincero), dou por mim com uma garrafa de Jack Daniels ou Rum em cima da mesa que esvazio vorazmente, à medida que gravo no meu moleskine, a panóplia de ideias e emoções que residem na minha mente. Apraz-me dizer que este processo de composição/construção musical, esta espécie de "working progress" mental, ou de "brain storming" entre o meu ego, alter-ego e demais vertentes pseudonimais... despoleta em mim sentimentos que as coisas mundanas nunca o conseguiram.
Para mim, a música é isto... é como um polígrafo que me faz dizer a verdade.